Relato de prova – Transpyrineus 2017
17 de agosto de 2017
Triângulo Esporte (25 artigos)
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Relato de prova – Transpyrineus 2017

Leonardo Santos Pereira conta como foi sua participação em uma das mais duras ultramaratonas de mountain bike do mundo. Após meses de preparação física e mental, pude, mais uma vez, concluir aquela que seria uma das mais belas e duras provas de ultramaratona de mountain bike do mundo. Considerada entre as dez provas mais difíceis do mundo, a Transpyrineus contou com participação de mais de 400 atletas de mais de vinte diferentes nacionalidades. A paixão pelas provas de estágios começou em 2012 na minha primeira longa aventura na África do Sul, a tradicional Cape Epic. De lá para cá entendi porque as ultramaratonas de bike se difundiram mundo afora. O prazer de conhecer paisagens deslumbrantes e inóspitas, a cultura e a culinária de nações diferentes é o que atrai os participantes dessa modalidade. No caso da Transpyrineus, o fato de sair da costa do Mar Mediterrâneo e chegar ao Oceano Atlântico através dos Piryneus foi o cartão de visitas perfeito para aceitar mais esse desafio.


“A distância de 800km em sete dias, somada à altimetria total beirando 20 mil metros, também foi completamente tentadora.” Logo no credenciamento e retirada do kit, um dia antes da prova, já é possível reconhecer atletas com quem iremos conviver ao longo de toda a semana. Nesse dia reencontro vários amigos que fiz em outras competições, todos extremamente empolgados com a energia e preocupados com as várias subidas do caminho. Uma das belas surpresas foi reencontrar um casal supersimpático de amigos suíços que conheci na Transportugal em 2016. O senhor Kurt e sua esposa, Judith, percorrem o mundo realizando provas de estágios, não por competição, mas por puro prazer em conhecer novos lugares e fazer amigos novos. Detalhe: correm na categoria dupla mista, têm mais de 60 anos e uma força tremenda. E mesmo com toda a dureza da prova e beirando a hora de corte todos os dias, os dois se consagraram finishers de mais esta ultra. E sabe o que mais me chamou a atenção? Não pensam em parar tão cedo. Uma curiosidade no credenciamento: recebemos um frasco com nosso nome e número do atleta. Seguindo a tradição, todo atleta deve ir ao Mar Mediterrâneo e colocar meio frasco de água, e na chegada, ao final da prova em Hondarribia, é necessário completar a outra metade com água do Oceano Atlântico. Segundo a organização, quem o fizer terá sorte e prosperidade durante todo o percurso.

Nesse mesmo dia do credenciamento é realizado um jantar de confraternização e também um briefing sobre a primeira etapa. Algo que dali até o sétimo dia se tornaria uma rotina quase que semelhante, não fossem as diversas cidades estágio pelo caminho. A prova tem início em Roses (Espanha) quase na divisa com a França, e esta primeira etapa é conhecida como a etapa dos nervos, pois todos os atletas estão ansiosos e com muita energia acumulada. E quem disse que as etapas seguintes estaríamos mais tranquilos… hehehehehe… Olha só como foram as características da prova para os dias programados de prova.

Sábado – 10/06 – Credenciamento – Roses

Domingo – 11/06 – Etapa 1 – Roses – Camprodon – 114km – 2.260m – 06:16 min de prova

Segunda – 12/06 – Etapa 2 – Camprodon – La Seu D’Urgell – 118km – 2.595m – 06:44 min de prova

Terça – 13/06 – Etapa 3 – La Seu D’Urgell – Pont de Suert – 115km – 3.200m – 07:40 min de prova

Quarta – 14/06 – Etapa 4 – Pont de Suert – Ainsa – 97,5km – 2.784m – 06:38 min de prova

Quinta – 15/06 – Etapa 5 – Ainsa – Jaca – 97,7km – 2.025m – 05:55 min de prova

Sexta – 16/06 – Etapa 6 – Jaca – Burguete – 132,4km – 2.855m – 07:23 min de prova

Sábado – 17/06 – Etapa 7 – Burguete – Hondarribia – 98,1km – 2.399m – 06:44 min de prova.

Todos os dias nossa rotina se limitava a tomar café da manhã, pegar as bikes, largada, chegada, deixar bikes na manutenção, massagem, jantar, briefing do dia seguinte, sono no hotel. Tudo devidamente programado e organizado, inclusive com a pontualidade nos horários preestabelecidos.

As cidades estágio foram escolhidas a dedo pela organização, que realizava a largada e chegada a vilas medievais e fortes. Sem contar o caminho que era repleto de intermináveis subidas e descidas. Todos os dias éramos presenteados com visuais incríveis do alto das montanhas, principalmente quando alcançávamos as cristas das cordilheiras a mais de 2 mil metros em relação ao nível do mar. Felizmente a cada dura subida, éramos coroados com descidas fantásticas entre matas de coníferas milenares, caminhos em single track que exigiam atenção e disposição para suportar o terreno íngreme e pedregoso. Não havia dia fácil nem com partes planas. A rotina se mantinha também em escalar as altas montanhas e depois descê-las ao final do dia.

Enfim, depois de sete dias nesta empreitada e com inúmeras novas amizades espalhadas pelo mundo, retorno ao Brasil extremamente realizado e contente com a minha participação nessa que é considerada uma das mais duras provas de mountain bike do mundo. Resultado oficial: 16º lugar na categoria individual e 35º no geral. “Sem sombra de dúvida, a mais bela e mais dura ultramaratona de que já participei. Simplesmente impossível descrever todos os sentimentos de realização e contemplação de toda a prova… Que venham as próximas!!!”
“Uma prova épica, de costa a costa. Muito dura, com subidas muito longas, as temperaturas são altíssimas, mas a experiência é inesquecível… Afirma Leonardo Santos Pereira

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