Quem nunca sonhou um dia ser livre para voar
16 de dezembro de 2017
Mara Poliana da Silva (7 artigos)
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Quem nunca sonhou um dia ser livre para voar

Para muitos, altura é sinônimo de medo; para outros, a sensação nem tem nome. Yan Quintela escolheu enxergar o mundo do alto.

Voar! O céu é, literalmente, o limite. Pássaros amam a liberdade e o ser humano sonha em ser livre. Yan Paes Quintela, 28 anos, experimentou enxergar o mundo de cima há dez anos, quando foi convidado por um amigo a realizar um voo duplo de parapente, a modalidade mais próxima do voo dos pássaros. Em meio aos ares limpos e com alma leve, desde então sua paixão pelo esporte tornou-se latente. Mas voar é, de fato, tão difícil como parece? Devido à falta de tempo e também de condições financeiras, somente em maio de 2017 Yan teve a oportunidade de começar no esporte e matricular-se no curso do Clube Araxaense de Voo Livre.

A preparação dura 3 meses, cujas aulas são ministradas na rampa do Horizonte Perdido, na Serra da Bocaina, em Araxá. “O frio na barriga é intenso. No início a gente fica com muito medo e pensamos até em desistir. Qualquer quedinha já ficamos travados.” Mas além da preparação teórica e prática, Yan conta que a psicológica é muito importante no momento do voo. “As aulas te preparam para tudo. Nosso professor, José Donizete Caixeta, e seu ajudante, Tales, são praticamente psicólogos, pois nos ajudam no dia a dia a preparar nossa mente para decolar. Voar é o nosso sonho, então, se temos qualquer problema em casa, pode influenciar na concentração para o voo.”

Após cumprir todo o treinamento nos 3 meses de curso, é realizada uma análise para julgar se o aluno está preparado ou não para iniciar o voo solo. Se aprovado, está na hora de encarar o céu e realizar o grande sonho. Mas parece que mesmo aqueles que são movidos à adrenalina não deixam de assumir que o coração dispara na hora de tirar o pé da rampa. “Eu fiquei com uma ansiedade muito grande, senti queimação. Antes mesmo de iniciar o voo eu já estava mal. Pensava: será que vou dar conta? Será que vai dar certo?” Primeiro estica o parapente no chão e corre numa encosta inclinada contra o vento. A vela infla sobe à cabeça e, finalmente, começa a sustentar e voar. Com segurança e com todo o equipamento necessário, Yan, no dia 17 de junho, realiza sua primeira decolagem sozinho e curte do alto as maravilhas da Serra da Bocaina.

“No momento que você sente que está voando, o seu primeiro voo mesmo, em que você coloca o pé fora da rampa, a sensação é indescritível! Não tem como explicar.” Quanto às condições climáticas específicas para voar, antes de decolar é importante para o piloto avaliar se o céu está com nuvens de tamanhos uniformes e vento moderado, de zero a mais ou menos 30km/h. Pode-se também decolar sem o vento, porém é necessário que o parapentista corra ligeiramente, permitindo assim que o ar entre dentro da vela e infle-a, propiciando a decolagem. Outro fator importante do clima que se deve prestar atenção são as nuvens. Nuvens de chuva são perigosas para o voo, mesmo aparentando estar distantes, pois geralmente provocam ventos fortes e turbulências agressivas, tornando o voo desaconselhável. Somente está apto para voar aquele que realizar um curso homologado pela Confederação Brasileira de Voo Livre. E por meio de uma prova online sobre questões específicas do parapente e condições de voo, o aluno é avaliado para sua certificação.

O parapente é um esporte aéreo que permite voar como os pássaros, de forma livre, sem motor, tendo um contato único com a natureza. Todos os praticantes devem ter o máximo de respeito pelo cumprimento de todas as normas e regras de segurança, e para que o voar nunca fique comprometido, é fundamental que reúnam todo tipo de equipamento necessário para a prática segura deste desporto radical. Yan já gastou cerca de 8 mil reais em equipamento e curso para realizar o grande sonho de voar. Mas quem disse que acabou por aí? Ele sonha, literalmente, alto. “Agora eu quero realizar um voo de Cross, que é mais longo. Hoje, o recorde mundial de voo de parapente é de 564 quilômetros. Então, minha intenção é voar bastante e aproveitar as condições de Araxá que são as melhores do Brasil.” Yan, que já chegou várias vezes pedalando à Serra da Canastra, hoje, quer chegar flutuando, com adrenalina correndo pelas veias, com as asas da liberdade que um dia tanto sonhou. Um passo, e ele não estará mais no mesmo lugar.

Yan Quintela começou a voar sozinho há menos de seis meses, tornou-se um apaixonado por voo-livre e sonha ir cada dia mais longe.

 

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Mara Poliana da Silva

Mara Poliana da Silva

Estudante de Jornalismo no curso de Comunicação Social na Universidade de Uberaba (UNIUBE).