A vida é cheia de exemplos – Grandes Sacrifícios
24 de abril de 2018
Triângulo Esporte (25 artigos)
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A vida é cheia de exemplos – Grandes Sacrifícios

Até onde você iria para salvar sua família? Walisson Gomes perdeu 27 quilos em apenas 3 meses para salvar seu filho Gabriel.

Com poucos dias de vida, Gabriel, meu filho, foi diagnosticado com Atresia de Vias Biliares, uma doença impossível de ser identificada durante a gestação e pouco conhecida, diagnosticada em uma a cada 10 mil crianças. Corremos para Belo Horizonte, onde ele passou por uma cirurgia paliativa, chamada Kasai, que permite que grande parte dos pacientes (ainda crianças) possam postergar até então o transplante de fígado. Sabia que era paliativa, mas imaginava que duraria muitos anos ou que nem precisaria realizar um transplante hepático. Foram quatro internações nos primeiros seis anos, mas todas controladas e com bom funcionamento do fígado. Para ser doador de fígado é preciso que o doador goze de saúde plena, esteja dentro do seu peso ideal (IMC) e tenha o mesmo tipo sanguíneo, no caso do meu filho, 0+. Em minha casa, somente eu possuía a mesma tipagem sanguínea, portanto, me senti na obrigação de me preparar para ser o doador quando chegasse o momento. Foi aí que a luta começou, pois eu estava muito acima do peso e com alguns exames alterados, chegando, inclusive, a ouvir de um médico que eu não conseguiria ser o doador. Foi difícil, pois se não conseguisse teria que buscar na família ou até mesmo realizar campanhas para conseguir um doador, tarefa difícil. E o pior, teria que aguardar na fila de transplante. Até então, o Gabriel estava muito bem e não havia indicação de transplante ainda, mas no fundo eu sabia que isto iria acontecer. A ansiedade fazia com que eu comesse ainda mais, e em vez de emagrecer, estava engordando. Pesava 114 quilos, medindo 1,84 metro. Estava totalmente sedentário, até que minha esposa, por meio de uma amiga, conheceu a HFF, e após iniciar os treinos me convidou para participar. Fiz uma aula experimental, e desde então não deixei mais de ir. A corrida é um esporte muito bom, mas o contato com a assessoria está muito além simplesmente da prática, está no relacionamento. Correr faz muito bem para a saúde, mas faz bem para a mente também, principalmente quando é bem orientado e cercado de boas pessoas, que é o caso da HFF. Iniciei na HFF em abril de 2017 com o intuito de emagrecer, mas não mudei os meus hábitos alimentares e não estava emagrecendo, apenas mantendo meu peso, que ainda estava alto. Em junho, meu filho foi internado mais uma vez e entrei em desespero novamente, pois se recebesse a indicação para transplante eu não estava preparado e nem teria tempo de me preparar. Ele saiu dessa internação sem indicação de transplante e eu não tinha conseguido emagrecer, estava bem acima do peso. Em setembro, tomei a decisão de procurar uma nutricionista e conciliar a atividade física com uma alimentação balanceada. Procurei a Dra. Fernanda e disse que precisava emagrecer rápido, pois meu filho poderia precisar de mim em breve. Ela me passou uma dieta, e naquela mesma semana meu filho foi internado e recebeu a indicação de transplante. Eu tinha acabado de iniciar uma dieta e sabia que seria praticamente impossível emagrecer rapidamente, pois se piorasse seu estado de saúde ele não teria tempo de aguardar para que eu pudesse ser o doador; teríamos que ter outra saída. Enquanto ele estava internado (21 dias) procurei a nutricionista novamente e pedi que me ajudasse a fazer uma dieta em que eu pudesse emagrecer logo, mas que me proporcionasse condições de ter bons resultados em meus exames, e assim foi feito. Corria todos os dias e fazia minhas consultas com a nutricionista com frequência. Fomos para São Paulo para iniciarmos os meus exames e saber se eu poderia ser o doador do meu filho.

Queria fazer o quanto antes, pois tinha que aproveitar esta fase em que ele estava muito bem para que tudo corresse bem. Ainda não tinha chegado ao peso ideal, porém continuava firme na dieta e nas corridas junto à assessoria e amigos que se dispunham a correr comigo todos os dias. Os exames deram certo, nenhuma alteração em colesterol, triglicérides, exames do fígado etc. Recebi, inclusive, elogios dos médicos, pois todos os meus exames estavam ótimos, e por fim estava pronto para ser o doador do meu filho. Estava pesando 87 quilos após 80 dias de muita atividade física (monitorada) e reeducação alimentar, tinha emagrecido 27 quilos. “O paciente Walisson veio até mim com o intuito de perder peso para um futuro procedimento de doação de órgão para seu filho, o qual possuía um quadro ictérico agudo, porém seu quadro clínico o impedia. Apresentou peso inicial de 108,7 quilos, com IMC: 32,2 kg/m², circunferência abdominal de 112 centímetros, 29,2% de massa gorda, sendo diagnosticado com quadro de obesidade grau 1, e o valor de ferritina alterado. Após toda avaliação, foi proposta uma prescrição dietoterápica hipocalórica, porém rica em nutrientes e normoproteica com o intuito de reduzir a taxa de ferritina, preservando sua função hepática, reservas nutricionais e massa muscular. Após dois meses, ele eliminou 27 quilos, 11 cm de circunferência abdominal e reduziu 7% a massa gorda, saindo do quadro de obesidade para sobrepeso normalizando os níveis de ferritina, tornando-se compatível para doação”, afirma Dra. Fernanda. Fizemos o transplante no dia 4 de dezembro de 2017. Foram praticamente 14 horas de cirurgia com uma equipe médica, cujos profissionais viraram meus super-heróis. Doei 40% do meu fígado para o meu filho que hoje se recupera muito bem e praticamente voltou a ter uma vida normal. No dia anterior ao transplante passou um filme pela minha cabeça, onde a sensação foi de vitória, de conquista! Deus esteve do nosso lado o tempo todo! Agradeço a minha família, que sempre esteve ao meu lado; ao meu professor e grande amigo Nino (HFF) que por diversas vezes me motivou, me viu chorar e me mostrou que era possível; a minha nutricionista, Dra. Fernanda, que também se tornou uma grande amiga da qual virei fã; e aos meus amigos e colegas de trabalho que também sempre estiveram comigo. Tenho o dia 4 de dezembro como uma data comemorativa, a data do renascimento do meu filhão! O Gabriel poderá dizer por diversas vezes que o seu pai lhe trouxe a vida de volta, mas prefiro dizer que diante de tudo isso meu filho é que me ensinou a viver melhor, a ter uma melhor qualidade de vida e a valorizar ainda mais as pequenas coisas do dia a dia. Me ensinou que sim, é possível, basta ter foco e determinação!

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