Decodifique os movimentos  – Pode ser bem simples
24 de abril de 2018
Marina Müller (3 artigos)
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Decodifique os movimentos – Pode ser bem simples

Todo mundo que treina algum esporte já se deparou com momentos como este: “Não dou conta! Isso não é para mim!”

Eu me incluo nessa equação. Existem momentos do treino que nos desafiam tanto física quanto mentalmente. Capoeira, crossfit, ginástica olímpica. Esses são alguns exemplos de esportes que quem não pratica já pensa: “esse povo é doido, isso é muito difícil”. O problema é quando esse tipo de pensamento acontece na mente de quem pratica. Movimentos complexos acompanham todos os esportes e podem levar o praticante para esse bloqueio, ou seja, essa sensação de que o movimento é muito mais difícil do que ele realmente é. Digo isso porque se um ser humano é capaz de realizar dito movimento temos a prova de que tal movimento é possível, e o “possível” se torna simples. Mas ATENÇÃO! Simples não é sinônimo de fácil! E o que devemos fazer para ver essa simplicidade? Todos os movimentos humanos considerados complexos (por exigirem a coordenação de muitas capacidades físicas) podem ser decodificados em movimentos mais simples. Esse é o caminho que nosso organismo escolhe desde os nossos primeiros aprendizados: antes de ficar de pé aprendemos a sentar, e antes de andar aprendemos a engatinhar. É a partir das conquistas mais simples que vamos dando complexidade aos nossos movimentos. No esporte não é diferente. Se você quer fazer um movimento complexo, comece sempre pela versão simplificada dele. Por exemplo: para dar um salto mortal para trás eu preciso ter conquistado capacidades físicas prévias, como força e potência. Quebrando em movimentos mais simples: eu preciso conseguir fazer um salto vertical efetivo, preciso trazer meus joelhos até o peito nesse mesmo plano vertical e preciso aplicar uma quantidade “x” de força no quadril para realizar um giro equilibrado, suficiente para que eu aterrize em pé. Percebe que a partir dessa sequência conseguimos transformar o treino “impossível” em um treino “possível”? Outro exemplo simples: digamos que eu não tenha problemas com a água da piscina, mas eu ainda não consigo me deslocar de forma eficaz. Para aprender o movimento do nado livre (crawl), eu precisaria: primeiro, entender o deslocamento causado pelo movimento das minhas pernas, posso treinar isso com a ajuda de uma prancha; depois me concentro em coordenar a respiração entre as braçadas e entender a força aplicada nos ombros para o impulso. Parece simples, não é? Mas ainda tem muita gente que pula direto no exercício complexo e sofre com a frustração. Esse passo a passo é chamado de exercício educativo. Quando faz isso você facilita o seu aprendizado motor, pois dá para o seu organismo tarefas mais fáceis de realizar antes de tentar uma tarefa mais difícil. Óbvio que ganhar capacidades e aprimorar movimentos complexos demanda tempo e dedicação, mas é muito mais possível que impossível. Então, antes de encarar seu monstro no esporte, encare os pequenos monstrinhos que o formam. Assim você terá resultados positivos em cada etapa, o que diminui a frustração e vai progredir com mais segurança, algo absolutamente necessário quando falamos de movimentos que envolvem várias coordenações. PS: um bom profissional da educação física pode ajudar você a encontrar a simplicidade na hora do treino! Fica a dica!

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Marina Müller

Marina Müller

Fisioterapeuta formada pela Universidade Estadual de Goiás, CREFITO137987-F. Pratica Crossfit há 5 anos e reside atualmente na Cidade do México. Marina é nossa mais nova colunista Triângulo Esporte