Detalhe que merece atenção – Membros superiores
24 de abril de 2018
Andrews Cleto (2 artigos)
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Detalhe que merece atenção – Membros superiores

Alguns corredores ainda se esquecem da importância do movimento dos braços na biomecânica da corrida.

Quando pensamos no desenvolvimento humano, lembramo-nos de nossos ancestrais que viviam de forma “livre”: caminhando, correndo, saltando, arremessando, puxando ou empurrando. Sempre estiveram em movimento. Em que momento perdemos esta referência? Na busca de uma vida saudável, pode-se observar um crescente interesse das pessoas pela atividade física nas mais diversas modalidades praticadas. Pode-se notar facilmente que a prática da corrida tem apresentado uma verdadeira explosão no número de praticantes. Boa parte de quem começa a correr se preocupa logo com a quantidade de quilômetros a percorrer por dia, com o melhor equipamento, em como se alimentar antes, durante e após os treinos. Entretanto, um detalhe que merece atenção e que alguns corredores ainda se esquecem é a importância do movimento dos braços na biomecânica da corrida. Não só os braços, como também toda a parte superior do corpo é extremamente importante para uma corrida eficiente. Nós, corredores, não corremos somente com as pernas. De nada adianta termos pernas fortes e resistentes, passadas bem coordenadas e velozes, se não tivermos uma caixa torácica boa e flexível que permita boa expansão pulmonar, captando e distribuindo oxigênio suficiente para a demanda da corrida. Se um dia você tiver a oportunidade de ficar parado na chegada de uma corrida, perceberá que grande parte dos corredores completam a prova com a parte superior do corpo totalmente desalinhada. Ombros tortos, cabeça caída e coluna curvada são os mais frequentes. Claro que estes praticantes conseguem completar a prova, porém o desgaste é maior e o risco de lesões também. Durante a corrida, entramos em um estado “automático”, pois na maior parte do tempo, movimentamos nossos grupos musculares da mesma forma. Isso nos deixa despreparados para uma movimentação que exija uma resposta rápida, como a alteração repentina de terreno, o que pode ocasionar algum tipo de lesão. Engana-se quem pensa que o treino de corrida é o único fator determinante para melhorar o tempo ou aumentar a distância. Devemos entender como o corpo é exigido em momentos variados, tanto no dia a dia quanto no esporte. Existe uma conexão entre o sistema nervoso, muscular e esquelético que deve ser respeitada e treinada periodicamente. Reflita como os países que despontam nos rankings esportivos executam a preparação física. Perceba que eles inserem programas de preparação física desde os primeiros anos escolares. Vemos esse cenário nas Olimpíadas, onde países como Estados Unidos, União Soviética e China estão sempre na ponta no quadro de medalhas. Vamos pensar na forma que o treinamento físico é totalmente voltado para potencializar as funções articulares, sejam elas de mobilidade ou de estabilidade, respeitando a integração entre os sistemas nervoso, muscular e esquelético. Então, corredor, procure treinar visando aos padrões de movimento e não ao músculo envolvido. Essa é a chave para o sucesso da preparação. Lembre-se sempre de buscar orientação de um profissional de educação física qualificado e registrado no CREF da sua região.

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Andrews Cleto

Andrews Cleto

Andrews Cleto, CREF 32907/ MG, é proprietário e técnico de corrida na HFF, uma das maiores assessorias da região.