Morte súbita no exercício – Qual é o risco real?
24 de abril de 2018
Ramirez Mendes Lafeta (1 artigo)
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Morte súbita no exercício – Qual é o risco real?

Está cada vez mais estabelecida a relação inversa entre atividade física regular e o risco de desenvolver doenças.

Hipertensão arterial sistêmica, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, diabetes, obesidade, câncer, depressão e morte prematura. Ou seja, quanto menos atividade física regular, maior é a chance de o indivíduo desenvolver alguma dessas doenças e maior é a chance de ter um mal súbito. O ideal é que todo indivíduo, candidato à prática de exercícios ou esportes, seja submetido a um exame médico e a exames complementares (eletrocardiograma, teste ergométrico, ecocardiograma, holter, MAPA) que permitam a detecção de fatores de risco, sinais e sintomas sugestivos de doenças do coração, além de buscar a história de doenças familiares ou eventos cardiovasculares relacionados à prática de esportes. Devemos ficar atentos quanto aos casos de morte súbita na família (cardiomiopatia hipertrófica, displasia arritmogênica do ventrículo direito, Síndrome de Brugada, dentre outras doenças que as causam); saber qual a procedência do paciente (se ele é de área endêmica para doença de Chagas); saber quanto ao uso de drogas lícitas e ilícitas que potencialmente possam produzir arritmias e mal súbito. Dentre os sintomas que os pacientes podem se queixar podemos destacar: palpitações, desmaio, dor ou desconforto no peito; cansaço aos esforços. Quanto ao desmaio no atleta, é necessária uma investigação bem detalhada, pois o atleta que desmaia durante a atividade física pode, no momento em que antecede o desmaio, ter desenvolvido alguma arritmia mais grave com potencial de levá-lo à morte súbita. No exame físico, merecem destaque algumas condições clínicas como: obesidade, diabetes mellitus; hipertensão arterial sistêmica; alterações na ausculta dos pulmões e do coração; e situações especiais como gravidez. Deve-se privilegiar a procura de sinais característicos e relacionados com a possibilidade de uma doença no coração, como a presença de sopro cardíaco, alterações na ausculta das válvulas do coração, além da medida adequada da pressão arterial. Em geral, o exercício não provoca eventos cardiovasculares em um indivíduo com o sistema cardiovascular normal. O risco de morte súbita cardíaca em indivíduos com menos de 30 anos está ligado a doenças hereditárias, dentre elas a cardiomiopatia hipertrófica, anomalia de coronárias e estenose da válvula aórtica. Após os 30-35 anos a principal causa de morte é a doença aterosclerótica (que acomete as artérias coronárias que levam sangue para o coração, gerando o infarto agudo do miocárdio) e também as doenças causadoras de arritmias.

Embora exista um risco aumentado de morte súbita e de infarto com exercício de intensidade vigorosa, o adulto fisicamente ativo ou apto tem cerca de 30% a 40% menor risco de desenvolver doença cardiovascular em comparação com aqueles que estão inativos.

Pesquisas demonstram que o risco de morte relacionada ao exercício é maior nos homens do que nas mulheres. O risco de morte cardíaca súbita ou infarto agudo do miocárdio é maior em adultos maiores de 35 anos. Isto é devido à maior prevalência de doença cardiovascular na população desta faixa etária. Uma pesquisa mais recente confirmou o aumento da taxa de morte cardíaca súbita e infarto entre os adultos que realizam exercícios de intensidade vigorosa quando comparados com os mais jovens. Além disso, as taxas de morte cardíaca súbita e infarto são desproporcionalmente maiores nos indivíduos mais sedentários quando realizam exercícios não usuais ou pouco frequentes. Os profissionais de saúde e a população em geral devem entender que, embora exista um risco aumentado de morte súbita e de infarto agudo do miocárdio com exercício de intensidade vigorosa, o adulto fisicamente ativo ou apto tem cerca de 30% a 40% menor risco de desenvolver doença cardiovascular em comparação com aqueles que estão inativos. O mecanismo exato da morte súbita durante o exercício de intensidade vigorosa em adultos que não possuem nenhum sintoma cardíaco ainda não é completamente compreendido. No entanto, acredita-se que o aumento da frequência de contração do coração e o espasmo das artérias coronárias (que levam sangue para o coração) produzem dobras e flexão dessas artérias, podendo ser a causa de “rachaduras” da placa aterosclerótica que fica aderida no interior das artérias. Essas rachaduras deixam sair o colesterol existente dentro das placas gerando a agregação de plaquetas, o que resulta em formação de trombos que interrompem o fluxo de sangue. Esse fenômeno de formação de trombos foi documentado em cateterismo cardíaco nos indivíduos que apresentaram dor no peito durante a atividade física.

Vimos, então, a importância de se promover saúde ao realizarmos atividade física regular bem como a importância de consultarmos um cardiologista antes de iniciá-la.

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Ramirez Mendes Lafeta

Ramirez Mendes Lafeta

Ramirez Mendes Lafetá CRM:43790 . Cardiologista Titulado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. - Ecocardiografia, - Ergometria . Atende na Cardioclínica em Araxá