Turismo esportivo em alta – Desafio do Dunga
24 de abril de 2018
Triângulo Esporte (25 artigos)
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Turismo esportivo em alta – Desafio do Dunga

Confira o relato de Bernadete Couto Oliveira sobre o sonho de correr na Disney e ainda participar do Dopey Challenge.

Meu nome é Bernadete Couto Oliveira, e vou contar um pouco do muito que vivi na realização de um sonho em janeiro de 2018. Quando meus filhos eram ainda bem pequenos comecei a sonhar em ir à Disney com eles. Os anos foram passando e por inúmeros motivos não foi possível irmos, mas continuei a sonhar que um dia iria sim à Disney. Antes de continuar minha história da Disney, vou falar um pouquinho de uma outra grande paixão: corrida de rua. Desde bem pequena fui amante incondicional do esporte. Na minha infância não tive a oportunidade de ter nenhuma orientação profissional em relação a esportes. Em minha cidade, naquela época, não tínhamos educadores físicos e nenhuma escolinha de qualquer esporte que fosse. Aprendíamos tudo sozinhos mesmo. E foi assim que fui me tornando uma atleta. Em 1982, ingressei no curso de Educação Física da Universidade Federal de Viçosa, e ali comecei realmente a ser uma corredora. Foi em Viçosa, em 1985, onde participei da minha primeira corrida “oficial”: III Corrida Rústica Padroeira de Viçosa, na qual fiquei em 2º lugar. Desde então nunca mais parei de correr e participar de corridas por todo o Brasil. Já participei de várias corridas de 5, 10, 15, 18, 21 e 42 km.

Confesso aqui que gostaria muito de ter me tornado uma atleta profissional, mas conciliar trabalho, família e o esporte profissional não é uma coisa fácil. Naquela época então! Mais difícil era. Mas nunca deixei de ser uma atleta, mesmo sendo só uma amadora. Mas voltemos à questão da Disney. Em 1993, aconteceu a 1ª Maratona da Disney. Ao saber desta corrida, de cara imaginei: “tenho um sonho de ir à Disney, amo correr; então por que não unir as duas coisas?” E este meu sonho foi então se tornando cada vez maior e mais forte. Em maio de 2017, meu filho mais novo (Guilherme) se inscreveu em um programa onde universitários vão para a Disney no período de férias para trabalharem. Quando ele me contou que talvez fosse, logo pensei: “esta é a minha oportunidade de realizar meu sonho”. Então comecei a me preparar. Procurei uma agência especializada em corridas internacionais e me informei como tudo acontecia. A partir daí comecei a perceber que meu sonho estava próximo de se tornar realidade. E então comprei um pacote no qual já estava incluída a inscrição para a corrida. E assim os dias, as semanas e os meses foram passando e eu fazendo meus treinos e me organizando com tamanha alegria e entusiasmo. Porém, já fazia um tempo que eu estava com algumas lesões nos tendões dos pés. Meus pés não estavam colaborando muito com meus treinos de corrida, mas no meu coração eu tinha a certeza de que tudo iria dar certo. Em julho, em Inhotim, participei de uma corrida com muitas montanhas, o que acabou aumentando um pouco mais a lesão de meus pés. Em agosto resolvi procurar um ortopedista especialista em pés e a partir daí comecei a ser acompanhada por ele. Faltando mais ou menos dois meses para a corrida da Disney tive mais uma lesão. Desta vez no joelho esquerdo. Mas mesmo assim continuei focada no meu sonho. Não estava disposta a permitir que nada me impedisse de realizá-lo. Fui mais uma vez ao meu ortopedista (do pé), que se tornou também meu ortopedista do joelho. E com toda sua competência, continuou cuidando das minhas lesões. E ele foi fundamental nesta conquista, pois em momento algum me desanimou e nem me disse que eu não conseguiria correr. Só dizia: “Vamos manter os cuidados necessários. Tudo vai dar certo”. No dia 30 de dezembro de 2017 embarquei rumo a Orlando, para realizar meu sonho. Parti, então, com minha amiga/aluna Lenir e vários brasileiros para a Maratona da Disney. Chegamos a Orlando no dia 31 logo pela manhã, e a partir de então, já no aeroporto, a magia começou. Fizemos o traslado do aeroporto para o hotel em um lindo ônibus da Disney. Era um ônibus todo desenhado com os personagens de Walt Disney. Eu estava maravilhada. E tudo foi acontecendo como nas histórias dos contos de fadas e das revistinhas do Mickey, Pato Donald, Tio Patinhas… com uma grande diferença: os personagens literalmente eram reais. Sobre a corrida, para mim não seria somente a maratona e sim o Dopey Challenge, em português, Desafio do Dunga, que seriam quatro corridas em quatro dias consecutivos (a 1ª, de 5 km; a 2ª, de 10 km; a 3ª, a meia maratona, de 21 km; e a 4ª, a maratona, de 42 km). Realmente desafiador. Mas me sentia preparada e muito feliz. No dia 4 de janeiro fomos até a feira, na sede da ESPN americana em Orlando, para buscarmos os kits. A partir desse momento a ansiedade se tornava mais evidente. Mas tudo continuava perfeito, uma organização assustadora. A primeira corrida, 5 km, aconteceu no dia 4 de janeiro; a segunda corrida, 10 km, aconteceu no dia 5 de janeiro; a terceira corrida, meia maratona, 21 km, aconteceu no dia 6 de janeiro; e a quarta corrida, maratona, 42 km, aconteceu no dia 7 de janeiro. Muitos quilômetros percorridos (ao todo foram 78 percorridos em quatro dias). Cada dia era um desafio. Mas tudo mágico. As corridas aconteceram pelos quatro parques do Complexo Disney: Disney’s Magic Kingdom, Epcot Center, Hollywood Studios e Disney’s Animal Kingdom. Tudo lindo, muito lindo de viver. Provas extremamente organizadas, com uma estrutura e apoio inimagináveis. Pelo percurso, bandas, DJs, orquestras, telões, centenas de pessoas incentivando, distribuição farta de água, hidrotônico, chocolates, balas, gel e que fantástico: os personagens da Disney espalhados por todo o percurso para quem quisesse tirar fotos com eles. Tudo realmente encantador, fantástico, mágico e organizado. Ao final de cada corrida a recompensa: uma belíssima medalha e muitas fotos com o Mickey, Minie, Pateta, Pluto, Dunga, Pato Donald. E eu cada dia mais feliz, encantada e realizada. E o melhor de tudo: minhas lesões não estavam me atrapalhando em nenhum momento. E no dia 7 consegui chegar ao final de todo o desafio. Para finalizar, não poderia deixar de contar mais um acontecimento nesta minha viagem dos sonhos. Conheci várias pessoas, mas uma foi um pouco mais especial: Danielle Nobile. Dani é ainda muito jovem e cadeirante, muito linda e simpática. Era uma jovem corredora, e o destino preparou para ela uma mudança radical em sua vida. Após um grave acidente foi “parar” em uma cadeira de rodas, mudando toda a sua trajetória de vida. Mas isto não a fez parar, pelo contrário, ela continuou buscando por meio do esporte (corrida, natação e bike) sua motivação e alegria de viver. Hoje é uma cadeirante e corre, pedala e nada muito de uma forma diferente, mas com muita garra, determinação, disciplina e principalmente alegria.

E como recompensa de todo esse esforço são 6 belíssimas medalhas, uma para cada corrida: 5, 10, 21 e 42 km; uma para o Desafio do Pateta, meia maratona e a maratona; e outra para o Desafio do Dunga, por ter corrido todas as corridas.

E foi assim um pouco do muito que aconteceu na realização do meu sonho: correr uma maratona na terra de Walt Disney.

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